Sábado, 31 de Julho de 2010

Jorge Nuno Pinto da Costa // O homem que existe para além do futebol Por: José Braga do Amaral e Bernardino Barros / Secção: Entrevista / 15-01-2009 · 2 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Nani Cabral Entrevista na Quinta do Paço
Entrevista ao presidente do Futebol Clube do Porto.

Ouça os excertos da entrevista

Jorge Nuno Pinto da Costa nasceu no Porto, há setenta anos,no seio de uma família burguesa e abastada, o que lhe permitiu crescer num ambiente de privilégio e esmerada educação, frequentando os melhores colégios da época, tendo sido colega e amigo de algumas das mais ilustres figuras portuenses. O seu percurso de vida nunca deixou de estar ligado à cultura através dos seus antepassados, especialmente a sua avó, com quem bebeu a maior parte da sua apetência pela arte. Não obstante,foi também desde criança que foi habituado a conviver com crianças e gente de todas as camadas sociais e a valorizar o dinheiro e o humanismo que cultiva ainda hoje. Apesar de tudo, nunca foi o estereótipo do “menino rico”do Porto e muito embora pudesse ter seguido uma carreira académica igual à de tantos colegas de carteira, optou por fazer na vida aquilo de que gostava e ser feliz enquanto igual a si próprio. Hoje, é uma incontestável “figura” da cidade do Porto, estatuto que conquistou depois de vinte e sete anos à frente dos destinos do Futebol Clube do Porto, clube que encontrou na penúria e que guindou ao patamar dos melhores de Portugal e do mundo.

Tribuna Douro (TD) – De tudo o que ouvi e li para preparar esta entrevista, a cidade do Porto é recorrente no seu discurso, mas o Douro, aquele Douro telúrico e vinhateiro, Património Mundial, não tem qualquer referência sua. O que é que conhece e o que é que lhe diz o Alto Douro, onde nascem as uvas com que se faz vinho que o Porto adoptou como seu?

Jorge Nuno Pinto da Costa (JNPC) – Conheço-o bem e até costumo brincar com os meus amigos quando se diz que temos que defender o que é nosso. Eu costumo dizer que o rio Douro é nosso até porque vai desaguar no Porto e eu costumo perguntar na brincadeira onde é que nasceu o rio Douro, e raramente alguém sabe que é na serra de Urbion, portanto o rio Douro fascina-me desde a serra de Urbion até à Foz. Protagoniza um percurso que é do que de mais bonito existe em Portugal e no mundo. Ainda agora vinha a conversar no carro que infelizmente os estrangeiros dão mais dão mais apreço a esta região, até em termos turísticos, que os portugueses.

TD – É capaz de ir às lágrimas, se for caso disso, como uma grande vitória do FCP?

JNPC – Não, não me recordo. Sentir-me mal uma vez ou duas, confesso que sim, agora não é fácil isso acontecer.

TD – Há uma frase engraçada do Felipe La Féria que diz que (JNPC) daria um bom actor.

JNPC – Pode ser que ele me contrate (risos…). O Bernard Tappi agora também é actor.

TD – Mas ele diz isso por causa das ironias, do sarcasmo, da resposta pronta, e ele diz mesmo que o gostaria de ter numa das próximas peças…

JNPC – Pronto, vamos lá…

TD – Acha que o FCP é hoje um ícone de afirmação da cidade e da região no resto do país?

JNPC – Acho que sim. E a prova de que não estamos errados é ver o tratamento que alguma comunicação social de Lisboa dá ao FCP. A forma ridícula como se tenta esconder os feitos do FCP.

TD – Ao fim destes anos todos continua a haver essa dicotomia Porto/Lisboa, Norte/Sul…

JNPC – Não, não. Há muito mais. Nunca houve tanto centralismo como agora. Por isso é que nós verificamos agora a necessidade de às vezes mandar uns ministros inaugurar uns troços de estrada. Sabe muito bem que a inauguração do Museu do Douro foi adiada porque o primeiro-ministro teve que ir ao Barreiro. Porque para eles, “ir lá cima” tem sempre tempo, mas para o ano vão vir mais vezes porque é ano de eleições.

Desafiamos o presidente do FCP a escolher o seu “onze de ouro”. Excluindo os actuais profissionais no activo do FCP, para não ferir susceptibilidades, Pinto da Costa foi rápido e não teve dúvidas:

Vítor Baía, João Pinto, Jorge Costa, Aloísio, Branco, Madjer, André, Deco, Futre, Fernando Gomes, Jardel

Treinador: Bobby Robson

2 Comentários Feed

Teresa Santos · escreveu em 16-01-2009 às 13:24:56
Muito bem...FCP forever!!!!
Francisco Santos · escreveu em 17-01-2009 às 19:32:17
É, sem sombra de dúvida, o MAIOR presidente do mundo, daria um excelente Primeiro-MInistro.
Deixe o seu Comentário

(necessário)

(opcional)

(opcional)

(necessário)

Nota: Os comentários são da exclusiva responsabilidade dos seus autores.


Justiça

A Tribuna tem um novo suplemento de Justiça.
Clique aqui para conhecer todos os artigos.

Pode também receber comodamente o suplemento de justiça em sua casa.



Última edição em PDF

Crónicas

Mário Mendes
A GAROTA DA MINHA RUA
Ela passa todos os dias na minha rua, balançando o seu corpo esbelto, que uma cintura fina e as longas pernas morenas, bem torneadas, fazem realç... + Crónicas do mesmo autor
Jorge Almeida
Enólogos e o seu Estatuto Profissional
Aquilo que poderemos designar como a economia baseada na evidência, reconhece que Portugal possui condições edafo-climáticas muito propícias ... + Crónicas do mesmo autor
Paulo Costa
ON2 - IMATERIAL
Que se aproveite na excelência esta grande oportunidade. O Norte necessita e o Douro agradece. + Crónicas do mesmo autor
Gisela Miguel
CRISE DE VALORES
Já há algum tempo que, por diversos temas controversos, se levanta a questão da crise de valores. A crise de valores acontece quando está emin... + Crónicas do mesmo autor
Bernardino Barros
Viva o Futebol no Relvado
Para quem leu o título, e tentou interpretar o seu conteúdo, sem interpretar o alinhavar de ideias transpostas para as letras abaixo expostas, n... + Crónicas do mesmo autor
António José Borges
Do respirar de uma elegância a Ti
É preciso ter uma filosofia para saber amar. + Crónicas do mesmo autor
Claúdia Moura
DESAFIOS E OPORTUNIDADES DO ENVELHECIMENTO:
A esperança média de vida aumenta e a natalidade diminui. O resultado da equação é uma população cada vez mais envelhecida + Crónicas do mesmo autor