Jorge Nuno Pinto da Costa // O homem que existe para além do futebol Por: / Secção: Entrevista / 15-01-2009 · 2 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Entrevista ao presidente do Futebol Clube do Porto.Ouça os excertos da entrevista
Jorge Nuno Pinto da Costa nasceu no Porto, há setenta anos,no seio de uma família burguesa e abastada, o que lhe permitiu crescer num ambiente de privilégio e esmerada educação, frequentando os melhores colégios da época, tendo sido colega e amigo de algumas das mais ilustres figuras portuenses. O seu percurso de vida nunca deixou de estar ligado à cultura através dos seus antepassados, especialmente a sua avó, com quem bebeu a maior parte da sua apetência pela arte. Não obstante,foi também desde criança que foi habituado a conviver com crianças e gente de todas as camadas sociais e a valorizar o dinheiro e o humanismo que cultiva ainda hoje. Apesar de tudo, nunca foi o estereótipo do “menino rico”do Porto e muito embora pudesse ter seguido uma carreira académica igual à de tantos colegas de carteira, optou por fazer na vida aquilo de que gostava e ser feliz enquanto igual a si próprio. Hoje, é uma incontestável “figura” da cidade do Porto, estatuto que conquistou depois de vinte e sete anos à frente dos destinos do Futebol Clube do Porto, clube que encontrou na penúria e que guindou ao patamar dos melhores de Portugal e do mundo.
Tribuna Douro (TD) – De tudo o que ouvi e li para preparar esta entrevista, a cidade do Porto é recorrente no seu discurso, mas o Douro, aquele Douro telúrico e vinhateiro, Património Mundial, não tem qualquer referência sua. O que é que conhece e o que é que lhe diz o Alto Douro, onde nascem as uvas com que se faz vinho que o Porto adoptou como seu?
Jorge Nuno Pinto da Costa (JNPC) – Conheço-o bem e até costumo brincar com os meus amigos quando se diz que temos que defender o que é nosso. Eu costumo dizer que o rio Douro é nosso até porque vai desaguar no Porto e eu costumo perguntar na brincadeira onde é que nasceu o rio Douro, e raramente alguém sabe que é na serra de Urbion, portanto o rio Douro fascina-me desde a serra de Urbion até à Foz. Protagoniza um percurso que é do que de mais bonito existe em Portugal e no mundo. Ainda agora vinha a conversar no carro que infelizmente os estrangeiros dão mais dão mais apreço a esta região, até em termos turísticos, que os portugueses.
TD – É capaz de ir às lágrimas, se for caso disso, como uma grande vitória do FCP?
JNPC – Não, não me recordo. Sentir-me mal uma vez ou duas, confesso que sim, agora não é fácil isso acontecer.
TD – Há uma frase engraçada do Felipe La Féria que diz que (JNPC) daria um bom actor.
JNPC – Pode ser que ele me contrate (risos…). O Bernard Tappi agora também é actor.
TD – Mas ele diz isso por causa das ironias, do sarcasmo, da resposta pronta, e ele diz mesmo que o gostaria de ter numa das próximas peças…
JNPC – Pronto, vamos lá…
TD – Acha que o FCP é hoje um ícone de afirmação da cidade e da região no resto do país?
JNPC – Acho que sim. E a prova de que não estamos errados é ver o tratamento que alguma comunicação social de Lisboa dá ao FCP. A forma ridícula como se tenta esconder os feitos do FCP.
TD – Ao fim destes anos todos continua a haver essa dicotomia Porto/Lisboa, Norte/Sul…
JNPC – Não, não. Há muito mais. Nunca houve tanto centralismo como agora. Por isso é que nós verificamos agora a necessidade de às vezes mandar uns ministros inaugurar uns troços de estrada. Sabe muito bem que a inauguração do Museu do Douro foi adiada porque o primeiro-ministro teve que ir ao Barreiro. Porque para eles, “ir lá cima” tem sempre tempo, mas para o ano vão vir mais vezes porque é ano de eleições.
Desafiamos o presidente do FCP a escolher o seu “onze de ouro”. Excluindo os actuais profissionais no activo do FCP, para não ferir susceptibilidades, Pinto da Costa foi rápido e não teve dúvidas:
Vítor Baía, João Pinto, Jorge Costa, Aloísio, Branco, Madjer, André, Deco, Futre, Fernando Gomes, Jardel
Treinador: Bobby Robson








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