Sábado, 31 de Julho de 2010

Museu do Douro, Cultura e Desafio Por: Jorge Almeida / 16-01-2009 Imprimir Enviar a um amigo

Dez de Setembro de 1756. É assinado o alvará régio que instituiu a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, e a consequente demarcação pombalina que introduziu, pela primeira vez na história mundial do vinho, a ideia moderna de “denominação de origem controlada”.

Dois de Dezembro de 1997, a Assembleia da República aprova por unanimidade a Lei 125/97 que cria o Museu do Douro.

Catorze de Dezembro de 2001, classificação do Douro Vinhateiro como património da humanidade. O anfiteatro de xisto, construído, moldado e vivido ao longo de séculos. Um das grandes parcerias da história da humanidade, feita entre o criador e os durienses, cujo resultado foi uma das mais incríveis e fantásticas criações cénicas, reconhecida pela Unesco, naquela data, como paisagem evolutiva e viva. O tributo prestado a um povo que a pá e ferro, pedra a pedra, cepa a cepa, ano após ano, soube construir com tanta dor, suor, lágrimas, paixões, amarguras, desavenças e amor, um incomensurável património paisagístico, cultural e social. Junho de 2004, o antigo edifício da Real Companhia Velha, a popularmente conhecida Casa da Companhia, é adquirida pelo Ministério da Cultura, através da Direcção Geral do Património.

Edifício verdadeiramente emblemático do Douro setecentista, que funcionou durante mais de 2 séculos como centro administrativo e vinícola das actividades da Companhia no Alto Douro. Quinze de Dezembro de 2005, é aprovado em Conselho de Ministros o Decreto Lei que cria a Fundação Museu do Douro e aprova os respectivos estatutos, tendo como fim, a instalação, a manutenção e a gestão do Museu do Douro, instituição museológica de âmbito regional vocacionada para a inventariação, recolha, investigação, preservação, valorização e divulgação do património material e imaterial do Douro Vinhateiro. Uma medida política da maior assertividade.

Aquilo que foi a confirmação e institucionalização de um modelo museológico que fez evoluir a noção convencional de Museu-Edifício-Colecção, para um novo paradigma de um museu aberto e interactivo com o seu território de referência. Vinte de Dezembro de 2008, o primeiro ministro José Sócrates inaugura o edifício sede do Museu do Douro. Sete milhões de euros de investimento total, 7.500 m2 de área funcional, um espaço aberto de valorização social, cultural e turística. Um dos maiores senão o maior e mais ambicioso investimento cultural realizado pela administração central na região, bem no coração do Alto Douro Vinhateiro, na sua cidade de referência administrativa e comercial, a cidade do Peso da Régua. Uma obra lançada após decisão pragmática e inadiável do Ministério da Cultura, e executada sem qualquer derrapagem orçamental ou temporal, em 21 meses. Virada a página da construção do Museu, importa também destacar algumas notas importantes sobre o processo.

A primeira vai para os ex-deputados António Martinho e Lino de Carvalho, que tão bem souberam interpretar o sentimento dos durienses, ao construirem e fazerem aprovar, por unanimidade, a Lei que criou o Museu. A segunda vai para governantes de 3 executivos de base partidária diferente, como Augusto Santos Silva, Pedro Roseta e Isabel Pires de Lima, cujas decisões plenas de justiça e oportunidade histórica, foram determinantes para a evolução e consolidação do processo, num exemplo claro de sentido de estado, de continuidade e complementaridade, em linha com a vontade diversas vezes manifestada pelo sr. Presidente da República, de convergência política e espírito nacional, em detrimento das querelas politico-partidárias.

A terceira nota é de reconhecimento pela vontade, tenacidade e capacidade de luta demonstradas pelas forças vivas da Região. O Museu do Douro resulta de importantes decisões do poder central sim, da vontade inabalável de parlamentares e governantes, mas é também, e acima de tudo, um processo de conquista regional contra o imobilismo, a burocracia e mesmo má vontade de alguns agentes da administração central. Uma última nota tem a ver com a nova página da vida do Museu. A sua potenciação integral. Um espaço museológico de interacção com a Paisagem evolutiva e Viva, como este, para além da intrínseca importância cultural, pode constituir uma forte âncora turística e económica. As Forças Vivas da Região, os Amigos do Museu, as Autarquias, as Empresas, as Instituições, a Fundação Museu do Douro, os cidadãos em geral, têm agora pela frente um grande desafio. Enfrentar dúvidas e hesitações, uma ou outra questão por resolver, e o ultrapassar de algumas fragilidades endógenas.

Mas só poderão assumir um caminho. Aquele que resulta da Mensagem de Ano Novo do sr. Presidente da República. União de esforços de todos, virada para o essencial – que neste caso, é a potenciação integral do Museu.

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