Sábado, 31 de Julho de 2010

Pontos(s) de Vista Por: Gisela Miguel / 16-01-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Ultimamente a palavra crise anda espalhada por todos os jornais, todas as conversas e por todas as mentes. A crise financeira gera a crise social, afectando todos os sectores da vida de cada cidadão. Mediante as dificuldades financeiras mundiais, a maioria dos portugueses, negativistas por natureza, continuam a assumir aquela postura de pensar mais nos problemas e menos nas soluções. Apenas alguns têm consciência real da crise global que atravessamos. Mas o que importa é a procura de soluções e não tanto a constatação da difícil realidade que teremos de enfrentar.

Cada um vive por si, sem pensar de forma mais global. É preciso abrirem-se horizontes porque o que é geral afecta o particular. A questão é o que, cada um de nós, pode fazer para mudar alguma coisa. Olhar para o próprio umbigo ou fazer comparações com os outros não nos conduz a um caminho seguro e, muito menos, com boas perspectivas de futuro. Num mundo cada vez mais contraditório, entre objectividade e subjectividade, a fé assume contornos diferentes daqueles que tinha há uns anos atrás. Nos dias de hoje tudo é rápido, simples e mais cómodo. Uma mensagem de telemóvel ou um e-mail demoram alguns segundos a ser enviados, uma carta, um dia e uma notícia, mal acontece, temos logo o seu conhecimento. Por isso, perante a mais simples dificuldade baqueamos. Não estamos preparados, para acreditar que vamos vencer os obstáculos. Porque a paciência está destreinada e a esperança é um sentimento relativo a um futuro muito próximo.

A fé falta-nos facilmente, porque nos desabituamos a ter dificuldades e não nos adaptamos às mesmas. Os mais novos são os que têm menos esperança, porque já nasceram no mundo da rapidez e da facilidade. Não conseguimos um equilíbrio entre toda a tecnologia que dispomos e a humanidade que temos. São meios que, muitas vezes, não conseguimos gerir. Por exemplo, construímos pontes enormes e temos dificuldade em conseguir parcerias. Por outro lado, quanto mais evoluímos para a objectividade, onde a ciência e a tecnologia dão as mãos, mais necessidade temos de mostrar o quanto de humano há em tudo o que fazemos. A fé e a religião significaram a mesma coisa durante anos e ainda hoje se confundem. A religião auxilia a fé, mas não precisa de se fundir com ela. A fé no sentido da esperança está em nós mesmos, independentemente da religião que temos ou que não temos.

Mas a crise na religião, afectou a esperança. Embora a consciência de que somos capazes de mover ou modificar muitas coisas à nossa volta, nos tornasse mais inconformistas, a fé, seja de que forma for, é fundamental para avançarmos. Essa fé, que é íntima e pessoal, que nos inspira e nunca nos submete ou sacrifica, partilhada sem ser imposta, e sem criar conflitos com os outros, é-nos, essencial. O ano de 2009, que vai surgir, precisa da energia positiva, que nasce de cada um de nós, para que seja um ano melhor, para que nos adaptemos sem nos conformarmos, que tenhamos fé, esperança e sorrisos para que não esmoreçamos mediante as dificuldades. Uma crise é uma crise. Tem um espaço de tempo, vem e passa.

Esperemos que este novo ano contribua para extinguir novas e velhas crises, sejam elas económicas, financeiras, sociais ou religiosas. Todas.

1 Comentário Feed

Firmino Pinto Igreja · escreveu em 05-03-2009 às 22:31:12
De facto, como diz a Sra. Gisela Miguel e muito bem, por natureza o ser humano e em particular no caso dos portugueses, temos sempre tendência para lamentarmos mais seja a nossa condição seja a dos outros em todos os aspectos, sermos negativistas, em vez de lutarmos por uma visão, por um projecto ou por uma solução que possa minimizar as consequências que sucedem, sobretudo nesta altura do campeonato com a crise a reflectir-se tanto de uma forma global. Vivemos na incerteza e no medo, pois como diz, a crise está por todo lado e anda por aí a rondar sabe-se lá se nós seremos as próximas vitimas. Contudo a sua crónica, com um conteúdo que revela de facto estar bem por dentro do assunto e ter sensibilidade e uma análise aprofundada da situação vivida nesta altura, contém uma mensagem de esperança e que se for bem interpretada nos encoraja a lutar contra esta crise e sobretudo o fruto que dela advém que é este negativismo, que tal como um vírus, que se expande e acaba por ir contaminando cada vez mais a sociedade, mesmo aqueles que se esforçam por não se deixar abater. De facto é de pessoas que, tal e qual à imagem da Sra. Gisela, pensem positivo é que nós precisamos para levantar o que já está por terra e não deixar que o resto do "edifício" seja arruinado e caía e a coisa fique muito pior. A sua crónica quase como uma mensagem messiânica vem corrigir e ajuda-nos a pensarmos de uma outra forma perante a situação. "Uma crise é uma crise. Tem um espaço de tempo, vem e passa" e é assim que temos de ver as coisas. A crise veio, mas não para ficar indefinidamente entre nós. Diz o velho ditado que "depois da tempestade vem a bonança" e se pensarmos já não aconteceram situações e crises semelhantes no passado, ocorre-me por exemplo neste momento a crise que sucedeu na "quinta-feira negra" em 1929 aquando em Wall Street todas as acções caíram em flecha e as pessoas e em particular os accionistas saíram à rua numa atitude de quase parecer que ia ser o fim de tudo e colapso de toda a economia e afinal ainda hoje nos encontramos aqui e o mundo tem andado para a frente desde essa já remota época. Sim as coisas vão melhorar, dias melhores viram e depois isto tudo não passará apenas de um mau momento que passou no mundo e nossas vidas.
Aproveito esta oportunidade para agradecer-lhe a companhia e a sua disponibilidade em ter estado connosco juntamente com o Sr. arquitecto Maia. Foi bom e instrutivo a Sra. Gisela ter partilhado o seu conhecimento, com toda a sua simpatia e boa disposição, de toda a obra acerca do Barão Joseph James Forrester. Continue assim o seu brilhante e empenhado trabalho ao serviço da nossa região tão maravilhosa que é o Douro. Dou-lhe os meus sinceros parabéns! Como vê o prometido é devido e por isso disse que ia ler as suas crónicas a partir de então e de facto vale mesmo a pena.
Os melhores e sinceros cumprimentos!
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