Sábado, 31 de Julho de 2010

CRISE DE VALORES Por: Gisela Miguel / 06-03-2009 Imprimir Enviar a um amigo

Já há algum tempo que, por diversos temas controversos, se levanta a questão da crise de valores.

A crise de valores acontece quando está eminente a mudança. Mesmo que depois nada mude, o facto de se questionar alguma coisa, já constituiu, em si, uma transformação.

Os valores, como raízes da personalidade, são difíceis de se alterar. Mas será que existem em todos nós e subsistem ao mundo actual de competitividade? O mundo agitado, onde se pretende só um pouco de paz, vai transformando-se, perante o conformismo de muitos de nós. Está-se cansado para questionar ou discutir, para tentar revolucionar e até apenas para conversar. O diálogo é o melhor meio para se atingirem mudanças e reformas, sem afectar valores base fundamentais.

Hoje, sente-se que se confunde educação com etiqueta, preocupando-se a sociedade muito mais com esta do que com aquela. A cortesia para com os outros assumiu contornos de interesse tais, que agora, desconfia-se quando alguém tem uma gentileza com os demais. O protocolo, no plano pessoal, é frequentemente considerado acessório, ao passo que, em termos profissionais, é mais que obrigatório.

A culpa é atribuída ao tempo, mais precisamente, à falta dele. Os relógios estão a rodar mais depressa, nas nossas sociedades urbanas.

O trabalho exige cada vez mais e melhor. As relações laborais são, muitas vezes, desgastantes.

Os pais não têm tempo para os filhos ou, será pior do que isso, não sabem gerir o pouco tempo de que dispõem? A adaptação às exigências laborais e sociais, retira para segundo plano as relações familiares.

As escolas e os professores não sabem o que fazer perante a falta de bases da maioria dos alunos. Não se tratando apenas de mau comportamento, mas da falta de valores. Não quer dizer que os pais não tenham valores. O problema está na sua transmissão de forma correcta e contínua.

Em termos de respeito pela privacidade dos outros, a sociedade está tão pobre de vida própria, individual ou colectivamente, que se interessa por questões triviais e sem conteúdos importantes para a sua emancipação.

Devemos abrandar, reflectir, ou mesmo,mais profundamente, meditar sobre o que somos, o que queremos ser, ou o que queremos que os nossos filhos sejam, e moldar estruturas que se querem sólidas sem, apesar de tudo, se tornarem demasiado inflexíveis, com o perigo de comprometer a liberdade que temos para mudar sempre que considerarmos essencial. Lembram-se do filme "A Vila" ou "A Praia". Deveremos sempre preservar os valores, mas sem o radicalismo de impor uma determinada forma de vida social e pessoal.

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