Sábado, 31 de Julho de 2010

DESAFIOS E OPORTUNIDADES DO ENVELHECIMENTO: Por: Claúdia Moura / 06-03-2009 Imprimir Enviar a um amigo

A esperança média de vida aumenta e a natalidade diminui. O resultado da equação é uma população cada vez mais envelhecida.

DEIXO-VOS A PENSAR …a evidência da aceleração do envelhecimento demográfico nas sociedades contemporâneas tem vindo a interpelar crescentemente os conceitos, as problemáticas, os significados e as respostas associadas à distensão progressiva da esperança de vida e ao consequente aumento da longevidade.

No caso português, o envelhecimento demográfico acentuou-se de forma particular nas últimas décadas, constituindo assim um fenómeno estruturante das sociedades contemporâneas. A esperança média de vida em 2005 atingiu os 75 anos no caso dos homens e os 81 anos no caso das mulheres, valores que se situavam respectivamente em 64 e 70 anos no início da década de setenta. Com a quebra progressiva das taxas de natalidade e a redução do número médio de filhos por casal, o peso da população com idades iguais ou superiores a 65 anos tem vindo a aumentar, situando-se em 17% em 2005, quando representava apenas 10% em 1970. Conforme, a II Assembleia Mundial sobre Envelhecimento, concretizada em Madrid, de 8 a 12 de Abril de 2002, desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Governo espanhol, “…até 2050, o número de idosos em todo o mundo avultará o número de jovens, pela primeira vez na história da humanidade, segundo as projecções, até 2050, deverão corresponder a 21% (…)”.

Pode dizer-se que a esperança média de vida aumentou de forma quase exponencial desde o início do século, não existindo qualquer previsão de uma inversão nesta tendência. Aliás no decurso da próxima década, a população activa começará a diminuir, quando muitos babyboomers se reformarem. No entanto, com o apoio de políticas de emprego adaptadas, este fenómeno pode ser temporariamente compensado na próxima década pela subida das taxas de emprego. Projecções recentes indicam que, embora a população activa comece a diminuir a partir de 2010, o número total de pessoas com emprego continuará a aumentar até 2017. Mais de dois terços destes ganhos resultarão de taxas de emprego. As evoluções positivas esperadas em matéria de emprego tendem a criar uma "janela de oportunidade" que permita avançar com reformas antes que se façam sentir os efeitos plenos do envelhecimento. Mas o aumento das taxas de emprego só provisoriamente pode atenuar os problemas e a longo prazo a mudança demográfica terá importantes consequências.

O envelhecimento da população pode mesmo constituir uma grande oportunidade para aumentar a competitividade da economia europeia. É oportuno oferecer aos agentes económicos europeus as melhores condições para que aproveitem as oportunidades das mudanças demográficas em termos de criação de novos mercados de bens e serviços adaptados às necessidades dos mais velhos. Um primeiro passo nesta direcção consistiria em incentivar à criação de apoios que favoreçam a qualidade de vida, isto diz respeito a domínios como as infra-estruturas necessárias ao bem-estar do idoso.

Estas medidas, são urgentes de forma a completar o novo paradigma de família, actualmente as casas são mais pequenas, as famílias menos disponíveis para assumir o papel de cuidadores, o que implica a necessidade de recorrer a repostas sociais, que garantam o equilíbrio nas relações interfamiliares. Perante a complexidade dos desafios do envelhecimento, é essencial uma estratégia global, para responder ao desafio demográfico que é uma tarefa de grande envergadura para todos.

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