Domingo, 20 de Maio de 2012

A Gestão de um Patrimônio Natural da Humanidade Por: Jorge Pegoraro / 29-08-2011 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

A criação do Parque Nacional do Iguaçu foi coroada por uma magnífica história, que começou há muito tempo, especificamente no ano de 1542, com a chegada do primeiro europeu na região, o ousado e persistente aventureiro e navegador espanhol Dom Alvar Nunez Cabeza de Vaca, que estava à procura do rio da Prata para alcançar Assunção no Paraguai.

Logo, a viagem se transformou num emocionante rafting pelas ligeiras e ainda desconhecidas – “águas grandes”, como eram chamadas as Cataratas do Iguaçu pelos índios tupi-guaranis.

“Ao descer o rio chamado Iguaçu, a correnteza era tão grande que as canoas corriam com muita fúria, por causa disso, muito próximo de onde se embarcou, o rio dava um salto por um despenhadeiro altíssimo e a queda dágua tinha um baque tão forte que de longe se ouvia; como a espuma caía com muita força, espirrava e subia alto”.

Assim estava registrada pela primeira vez na história a existência das maravilhosas Cataratas do Iguaçu.

Mais tarde, o abolicionista e engenheiro de ferrovias André Rebouças, ousou defender, em 1886, a criação de um Parque Nacional na região, envolvendo as Cataratas do Iguaçu e as Sete Quedas localizadas no rio Paraná, hoje alagadas pelo reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Mas não foi ouvido, sua idéia conservacionista era moderna demais para aqueles tempos no País.

Um brasileiro inventor, que gostava de voar alto em seus pensamentos e em suas geringonças, Alberto Santos Dumont, visitou a região da fronteira do Brasil e da Argentina, vindo de vapor da capital Buenos Aires. Convidado para conhecer o lado brasileiro das Cataratas, ficou hospedado três dias num pequeno hotel de madeira, o Hotel Brasil, localizado as margens das quedas, terras que eram posse de Jesus Val, um aventureiro uruguaio. Tal hotel nunca tinha recebido hóspede tão importante.

Ficou para sempre na história da criação deste Parque quando sugeriu ao Governador do Paraná que “estas terras não poderiam pertencer a um particular”, terras onde se encontravam as Cataratas do Iguaçu, sugestão acatada pelo então Governador Afonso de Camargo, criando em 1916, através de decreto estadual um “povoamento e um parque”.

Muitos anos se passaram até o Presidente da República do Brasil, o gaúcho Getúlio Vargas, criar o primeiro Parque Nacional do Brasil, em 1937, o Itatiaia, localizado no Rio de Janeiro e finalmente, o Parque Nacional do Iguaçu, em 1939, o segundo Parque Nacional do País, estabelecido 5 anos mais tarde que o vizinho Parque Nacional Iguazu na Argentina.

Na década de 40, como prioridade, uma grande licitação pública: a construção de uma pequena hidrelétrica para abastecer os cerca de 3 mil moradores da cidade, aeroporto – conhecido na época como campo de pouso, estrada de rodagem, sede do Parque, residências de funcionários, trilhas e pontes, além de um hotel de luxo.

Foz do Iguaçu apontava para um caminho sem volta – o turismo, e o turismo de Foz do Iguaçu é produto do Parque Nacional.

Sem o Parque, nem as Cataratas seriam mais o que são, aponta o jornalista, escritor, fotógrafo e ambientalista, Marcos Sá Correa, no seu livro “Meu vizinho, o Parque Nacional do Iguaçu”.

A conservação chegou de fato bem mais tarde, nos anos 80, com a elaboração do primeiro Plano de Manejo feito no País, junto com o arcabouço da legislação ambiental brasileira. O Brasil dava seus primeiros passos rumo ao desenvolvimento sustentável. A Unesco declara o Parque Nacional do Iguaçu, em 1986, Patrimônio Natural da Humanidade, chamando a atenção do mundo para as belezas cênicas das Cataratas e também para a rica biodiversidade existente na região.

No final da década de 90, o Parque passa por uma nova transformação. Em virtude da crescente demanda turística e da necessidade de atender com qualidade os visitantes, preceitos cada vez mais utilizados nos Parques Nacionais espalhados pelo mundo, num esforço inédito e pioneiro no País, concedeu-se parte de suas áreas para serem concessionadas para a atividade turística privada.

O Parque ganha, a cada dia, mais visitantes e mais atenção às questões da conservação ambiental. É administrado atualmente pelo Governo Federal, através do Ministério do Meio Ambiente e sua Autarquia Especial, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Neste início do século 21, mais um importante título se aproxima para o Parque Nacional do Iguaçu, tornar suas Cataratas uma das 7 novas maravilhas da natureza. Para tanto, usando-se a ferramenta mais poderosa do mundo da atualidade, a internet, e o apelo emocionado aos amigos, vizinhos, colaboradores, visitantes e agora, em especial - junto aos irmãos portugueses - poderemos tornar realidade este grande sonho, transformando o Parque Nacional em um novo modelo de sustentabilidade mundial.

*Jorge Pegoraro Chefe do Parque Nacional do Iguaçu

*Escreve todos os meses na Tribuna Douro um artigo de opinião sobre o tema Sustentabilidade

1 Comentário Feed

Raul Coutinho · escreveu em 20-03-2012 às 18:21:00
Caro Amigo,
Tive a sorte de "também ter já visitado" as Cataratas de Iguaçu, através de 2 programas de Televisão. Um, "espanhóis en el Mundo" e outro "Castilha e Leon" en el Mundo!
Coincidências ou talvez não, mas foram estes canais de televisão espanhóis que "me levaram" a ver essa maravilha.
E adorei!
Feliz de quem aí vive e que viva por bem!
Abraços desde o Douro
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